Poemas de Lucymar Soares

O Tempo que Passou


Passo a passo
A cada passo
Sempre passo

A vida passa
O tempo passa
E o presente passa

Quando passo
Cada passo
Tudo faço

A vida passa
O tempo passa
Tudo passa

Passando cada dia
Cada passo no passado
Tudo tem ficado enterrado

O tempo passou
Tudo passou
A vida passou

Sonho
Desenterro o passado
Tudo inicio

Por lembrança penso
Pensando vejo
O tempo que passou

Vejo no tempo passado
O sabor
De tê-lo aproveitado


Não Tenho um Campo

À sombra das belas árvores
Do campo grande
Repousa o corpo vivo
Do pobre homem
Mergulhado na solidão
De um mundo distante
Discriminado pela sociedade
Que lhe cobra profissão
Lhe cobra educação
Lhe cobra pão
Falta a mesa
Falta a cama
Falta a casa
Descansa sobre os bancos
Da Praça da Piedade
Relógio de São Pedro
Na Orla
À beira mar
Na solidão
No vazio
Na busca do nada
Na vida vegetal
Não diz ser feliz
Nem infeliz
Pede Pão
Ganha um Não
Pede justiça
Ganha um Não
Pede dinheiro
Ganha um Não
Pede trabalho
Ganha um Não
Não pede
Rouba
Cata no lixo
A sobra do sanduíche
Come lixo
Não come
Desnutre-se
Não resiste
Amanhece imóvel
O corpo do pobre mendigo
Repousando sobre o verde
Do campo grande
Em fuga
Permanece sua jornada
Mergulhado em outro mundo
Caminha o mendigo
Que sobre a relva
Se desfez o corpo morto
Jogado em qualquer campo
Na minha jornada como mendigo
Só tenho escutado NÃO
Vivo amargurada
Ansiosa
Envolvida pela depressão
Não tenho ar fresco
Nem relva
Nem banco
Não tenho em campo

Galgar

Observar do alto
Das montanhas
O verde das campinas
Querer do mais alto
A neblina
Suave o cheiro
Da relva
O pássaro
Mais perto voar
As nuvens
Sonhar e pegar

Deveras
É preciso galgar
Até o cume

Passo a passo
Suor
Lágrimas
Quente o sol
Bronzeia o rosto
Seca
A garganta clama

Galgar
Galgar grandes montanhas
Subir até chegar lá

Dor em pranto gemer
Cansado o corpo morrer
Vibrar à distância
E desfalecer
Jamais verá
Como é lindo
Do alto ver
Quão grandes
Contidos sonhos
Moram e morrem
Sem ao menos poder ver

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Um pensamento sobre “Poemas de Lucymar Soares

  1. Membro Correspondente da ofícial Academia Tijuquense de Letras, nascida no interior de Minas Gerais em 1965, Lucymar Soares, foi morar na Bahia no distrito de Argolo. Atualmente cursa Jornalismo e atua em movimentos culturais de Salvador-BA como o Fala Escritor, o Alma Brasileira e o Galinha Pulando.

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