Poemas de Nádia Cerqueira

Vida

Rompi noites sombrias e
Na busca demorada rememorei
Nossos sonhos e palavras
Minha imaginação voou
Para te oferecer alegria
Embalar-te na jornada…
Perto de ti sinto-me menina
Despida de artíficios
Sinto-me segura
Enquanto o amor germina
Sempre nua, oferecendo vida…
Vem, suga-me, beija-me a alma até a partida
Acolhe-me na terra fértil do teu coração
E desenvolve-me com a tua ternura
Os sentimentos latentes dentro de mim.

Amanhecer Iraraense

No brilho de cada amanhecer iraraense
Nasce um novo poema, uma esteira trançada
Panelas de barro moldada, uma tela pintada ou desenhada
Ao som de uma melodia entoada
Essa semente artística, não para de germinar
E a cada dia surge um gênio que irá brilhar:
Na música, na sensualidade da dança
Nos truques da capoeira, ou no sorriso de um pallhaço
Com sua alegria faceira
E ainda nascerá o equilibrista na corda bamba
Brincando com o malabarista que também gosta de samba
Essa diversidade nas artes, cada um faz sua parte
Do sonhador poeta, à elegante atriz
Que fazem de Irará, essa terra feliz!

Acorda, mulher!
Acorda mulher, enxuga o pranto
alarga teu sorriso lindo
O mundo de braços abertos
aguarda pelo fogo do teu corpo
A primavera te espera mais despida
e mais liberta
A dor e o amor se confundem
em desespero e lágrimas
Acorda mulher, o furor uterino desagrega
os sentimentos e aspira só o prazer
do gozo e do momento
No ritmo dos beijos e abraços
na dança da volúpia e da luxúria
cavalga com esse homem, com tua ternura
depois de suados faça uma pequena pausa
Silenciando os gritos e suspiros no repouso dessa cena
Acorda mulher, o pulsar das tuas veias
é instigante reacende o novo desejo do querer
reanimando os corpos ofegantes.
Acorda mulher!

 

Sonho de éter
A minha alma estremeceu o horizonte
Mas num instante
Tudo foi indiferente
Toda luz se apagou
Agora já faz parte
De um silêncio eterno
Tua lembrança é uma passagem morta
Não preenche meus vãos
Até as lágrimas
São invisíveis
Cheias de compaixão
Hoje, tu és escombro do meu orgulho
Quebrado
E tudo tão breve destruído
E volto ao passado
Com o meu sonho evaporado

Poesia e Beleza
Em cada noite transparente
A natureza fertiliza
Com poesia e beleza
Os corações carentes
A paixão sem consolo
Reverte-se de esperança
Cheia de Saudade
Esqueço da cruel realidade
Sou levada nos braços
Invísiveis do vento
Para um lugar longe
Do lamento
Vitalizo meu corpo
Apagando a dor
E faço da vida
Um concerto de amor

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Um pensamento sobre “Poemas de Nádia Cerqueira

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